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Evolução dos Custos na Saúde Suplementar
19/06/2015

O sistema de classificação de procedimentos médicos denominado Diagnosis-Related Group (DRG) - na tradução livre Grupo de Diagnósticos Relacionados - se fortalece como importante alternativa de balizador para a remuneração dos serviços médicos no Brasil, já apresentando resultados positivos de redução de custos entre as organizações que a adotaram em países estrangeiros.


Resultados foram apresentados no seminário internacional Evolução dos Custos na Saúde Suplementar, realizado no último dia 28, em São Paulo, com apoio da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), daAssociação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge) e do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (Iess).


No encontro, o Insper divulgou estudo inédito com análise sobre o comportamento dos custos da saúde no Brasil, e especialistas da PwC expuseram análises sobre a adoção do sistema DRG em outros países, especialmente na África do Sul. No primeiro painel - a Evolução dos Custos da Saúde Suplementar no Brasil e no Mundo -, Paulo Furquim de Azevedo, coordenador do Núcleo de Regulação e Concorrência do Insper, discorreu sobre aspectos que o estudo apontou. Logo na abertura, ele destacou que o setor privado de saúde tem indiscutível importância social e econômica no país. “O valor gerado pela cadeia da saúde corresponde a um quarto do gerado pela indústria da transformação”, afirmou.


Segundo as conclusões, há forte tendência de crescimento dos custos em parte devido ao desenvolvimento, mas também em razão da ineficiência do sistema. O fator que mais impulsiona a escalada de preços é a introdução tecnológica, que, inversamente ao que ocorre em outros segmentos, na área da saúde, produz mais inflação. Isso porque há inovação de produtos, não dos processos.


Os efeitos da transição demográfica e epidemiológica, o aumento da renda per capita e as falhas de mercado, que se traduzem na falta de incentivos ao setor, também exercem forte influência na alta dos custos. Ele ressaltou que não há relação entre volume de gastos e qualidade de serviços. “Há países que estão fazendo mais por menos”, disse Paulo Furquim.


Também debatedor no painel a Evolução dos Custos da Saúde Suplementar no Brasil e no Mundo, Marcos Bosi Ferraz - diretor do Grupo Interdepartamental de Economia da Saúde (Grides) da Escola Paulista de Medicina da Unifesp - afirmou que, no Brasil, vive-se um engano coletivo, que a esta altura já requer reinterpretação constitucional. “Hoje, talvez não seja mais possível dar tudo o que é necessário em saúde”, observou ele, referindo-se à oferta crescente de procedimentos e recursos médicos, que são introduzidos de forma acrítica às coberturas obrigatórias dos planos de saúde - muitas deles indisponíveis para cidadãos que recorrem ao sistema público.


O segundo painel do seminário tratou da implantação do sistema DRG na África do Sul. Sam Rossolinos e Etienne Dreyer, ambos diretores de Healthcare da PwC no país africano, explicaram como ocorreu a implantação do sistema, processo que demorou cinco anos. “Somos um país como o Brasil, ainda em desenvolvimento. Tivemos resistência no início, mas é preciso se chegar ao consenso de que algo precisa ser feito”, explicou Etienne Dreyer, acrescentando que o DRG estimula a análise de resultados. disse ainda Cechin.